sexta-feira, 8 de junho de 2018

Juiz que soltou autor de feminicídio um dia antes do crime manda prendê-lo

O juiz Aragonê Nunes Fernandes, do Núcleo de Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Samambaia, decretou a prisão de Vinícius Rodrigues de Sousa, 24 anos, acusado de matar a companheira, Tauane Morais dos Santos, 23, a facadas em Samambaia na quarta-feira (6/6). O mesmo magistrado havia mandado soltar o acusado um dia antes do crime. Ele alegou não ter tido "bola de cristal" para prever o feminicídio.
 
Após matar a mulher, Vinícius tentou suicídio com cerca de 20 golpes de faca e está internado em estado gravíssimo - sedado, respirando por aparelhos e com pressão mantida sob medicação - no Hospital Regional de Taguatinga.  

Na avaliação da antropóloga Lia Zanotta, especialista em violência doméstica, não é necessária uma "bola de cristal". "O menor dano era manter a prisão desse sujeito. Não basta medida cautelar, porque o Estado não garante a proteção da mulher. Era também necessária medida que obrigasse o agressor a ser ecaminhando a um serviço psicossocial e que, de forma nenhuma, fosse, sem outra escuta, liberado", argumenta.

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Para Iara Lobo, colaboradora do Comitê Nacional de Vítimas da Violência (Convive), o juiz foi precipitado ao relaxar a prisão. "É comum que as pessoas não acreditem que isso (feminicídio) vá acontecer. Só as medidas cautelares não são suficentes. Há casos em que se percebe de pronto que necessitam de uma assistência maior e de um olhar diferenciado. Dentro e fora de casa, casos de violência ocorrem com grande constância", resume. 

No domingo, Vinícius havia sido preso após, conforme depoimento da mulher à Polícia Civil, ele ter se “descontrolado”, quebrado diversos eletrodomésticos que haviam sido comprados por ela, como a televisão e a geladeira, tê-la agredido, ameaçado de morte e tentado enforcá-la. O filho de 2 anos do casal testemunhou a cena.

Segundo informações do TJDFT, "a despeito do indiciado encontrar-se hospitalizado, o auto de flagrante foi analisado e a prisão preventiva deferida, diante da extrema gravidade do crime praticado, bem como mediante o franco descumprimento de medida protetiva imposta em favor da vítima".

Para Lia Zanotta, é preciso que juízes e operadores do Direito escutem as mulheres. Nesse caso, segundo ela, houve claros indícios de violência, como denúncia de vizinhos, ações agressivas evidentes contra a mulher e destruição do apartamento, que poderiam levar a mulher à morte. Lia Zanotta reforça que o intuito da Lei Maria da Penha é prevenir a continuidade da violência, mas que há juízes que a veem como muito punitiva e que, por isso, relaxam as prisões diante do fato de que muitas ameaças não configuram em atentados contra a vida.

Medidas protetivas


A ata de audiência de custódia que relaxou a prisão de Vinícius na terça-feira (8/6) mostra que o magistrado justificou que a concessão e a fixação de medidas protetivas eram suficientes para acautelar o processo e manter o suspeito a ele vinculado, protegendo também, por consequência, a integridade da ofendida.

As medidas incluíam: afastamento do lar ou domicílio ou local de convivência com a mulher e com os filhos; proibição de contato por qualquer meio de comunicação; proibição de se aproximar da mulher e dos familiares - limite mínimo de 300 metros de distância; proibição de ausentar-se do Distrito Federal por mais de 30 dias, a não ser que autorizado pela Justiça.

Ontem, após a morte de Tauane e decretada prisão preventiva de Vinícius, o juiz Aragonê Nunes Fernandes registrou em audiência: “Por não termos ‘bola de cristal’, não temos como prever aqueles que realmente concretizarão as ameaças que fazem. Prender a todos, indistintamente, não parece ser o melhor caminho a seguir”.

A prisão gerou a instauração de procedimento criminal distribuído ao Tribunal do Júri de Samambaia, onde os fatos serão apurados e o processo seguirá seu trâmite até o julgamento do acusado.  

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A audiência de custódia em que Vinícius foi solto, na terça-feira (5), contou com a participação de promotor. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou ao Correio que, na ocasião, "não havia registros policiais de episódios anteriores de agressão, e o autor somente foi posto em liberdade condicionado ao cumprimento das medidas protetivas em favor da vítima e dos filhos do casal".
 
"Assim, com base nos fatos trazidos nos autos de prisão em flagrante, não havia elementos que indicassem que o custodiado descumpriria as medidas protetivas, tampouco que mataria a própria companheira antes de tentar ceifar a própria vida", informou o órgão, em nota.
 
O MP lamentou o crime e garantiu que "vem se empenhando para aperfeiçoar os critérios de avaliação de risco de violência doméstica, sempre em busca de providências que alcancem proteção à mulher".

Garantia do direito à vida 
 
A Lei Maria da Penha define, no artigo 3º, que devem ser asseguradas às mulheres as condições "para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária".

Vítimas e familiares podem buscar suporte diante de casos de violência doméstica em núcleos espalhados por todo o DF. Agressores devem comparecer a reuniões em promotorias de Justiça e contam com apoio especializado em centros de atendimento psicossocial

Vídeo: funcionário agride com socos professor de colégio particular

 
Imagens de câmera de segurança flagraram a agressão de um funcionário de colégio particular contra um professor de língua espanhola da unidade de ensino, nesta quinta-feira (7/6). Auxiliar administrativo do Centro de Ensino Logos de Samambaia, Paulo Victor Bezerra atacou a socos Cristiano Alexandre Batista, 36 anos, na sede do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep-DF), no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), quando o docente tentava homologar rescisão contratual.
Cristiano relatou ao Metrópoles que o conflito se iniciou porque a escola quis descontar valor equivalente a três dias de trabalho da multa pela rescisão. Segundo o professor, a instituição alegava faltas não compensadas do profissional. Conforme argumentou o docente, ele não lecionou nesses dias por problemas de saúde. Paulo Victor estava representando o colégio na negociação.
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“Tenho rim transplantado há 11 anos. No início do mês passado, tive intercorrências e precisei ir ao Instituto Hospital de Base (IHB). Por isso, faltei”, narrou Cristiano. “Inclusive, tenho dois atestados médicos. Um, de cinco dias, concedido em 3 de maio deste ano. O outro, de quatro dias”, acrescentou. O professor lecionou no colégio por nove meses e, segundo ele, foi demitido no mês passado.
Após contestar o desconto feito pela escola, Cristiano teria afirmado ao funcionário do Sinproep responsável pela homologação que faria ressalvas. Naquele momento, Paulo Victor supostamente se irritou. “Ele me chamou de ‘moleque’ e ‘irresponsável’. Falei que isso era ele. Aí fui empurrado e agredido com socos e pontapés”, relatou a vítima.
Veja o momento da agressão:

Ainda de acordo com Cristiano, o funcionário do colégio colocou a vida dele em risco ao chutá-lo próximo à região do rim transplantado. “Vou acionar a Justiça contra o desconto feito pela escola e por causa da agressão física”, finalizou, logo após ter registrado boletim de ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia (Área Central).
O sindicato reprovou a atitude e prestou apoio ao professor. Inclusive, disponibilizou o próprio advogado para suporte ao docente. O diretor jurídico do Sinproep, Rodrigo de Paula, afirmou que colegas da rede privada de ensino organizam manifestação em frente ao Centro de Ensino Logos.
Outro ladoAo Metrópoles, o advogado do centro de ensino, Edemilson Costa, negou a agressão de Paulo Victor contra Cristiano. Ele disse ainda que Paulo Victor não integra o corpo diretivo da empresa e apenas se defendeu. “A instituição quis pagar todos os direitos previstos na legislação, mas o professor não aceitou, teve reação exacerbada e denegriu o centro de ensino e o Paulo”, alegou. “O Paulo, diante dessa situação, tentou se defender. Por isso, apenas empurrou o professor”, acrescentou.
A reportagem questionou o advogado sobre o porquê de o coordenador ter continuado a desferir golpes mesmo após Cristiano cair no chão. “O Paulo tentou fazer com que ele (professor) não se levantasse, porque estava em momento de fúria. Se há um agressor, é o professor. Se há um agredido, é o Paulo, no aspecto moral, físico e emocional”, respondeu.
Em nota, o advogado do Logos afirmou que “temos toda a documentação que comprova, inclusive, que a data da demissão foi posterior ao último atestado entregue”.
“Quanto ao funcionário Paulo Victor, o mesmo foi fortemente insultado pelo professor e os representantes do sindicato nada fizeram. Infelizmente, em um ato impensado não resistiu à agressão verbal e tomou uma atitude que a direção desta instituição repudia”, prosseguiu.
A nova legislação trabalhista diz que rescisões contratuais não exigem homologação nos sindicatos, mas podem ser feitas diretamente com o empregador. Apesar disso, o diretor jurídico do Sinproep afirma que o procedimento é realizado no DF por causa de uma convenção da categoria. Após a confusão, a homologação da rescisão do professor foi suspensa.
 

terça-feira, 5 de junho de 2018

,Moradora de Samambaia e Estelionatária Oferecia Emprego em Roma

Mais vítimas de Agenayra Maranguape Rodrigues, 22 anos, comparecem à 23ª Delegacia de Polícia (P Sul) nesta terça-feira (5/6). A mulher é acusada de prometer empregos falsos no Brasil e até em Roma, na Itália. Ela pedia uma quantia em dinheiro para organizar a documentação dos trabalhos e sumia em seguida. A Polícia Civil estima que ao menos 100 pessoas foram vítimas da ação.  

Após a prisão de Agenayra, na segunda-feira (4/6), dezenas de pessoas compareceram à delegacia no início desta manhã. Até a última atualização desta reportagem, ao menos 50 boletins de ocorrências estavam registrados contra a suposta criminosa. Alguma das vítimas informaram que conheceram a mulher em igrejas de Taguatinga, onde ela se aproximava com o pretexto de ajudá-las.  

"Ela oferecia salários entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para as vítimas. Depois, sumia com o dinheiro", conta o delegado à frente do caso, Victor Dann. De acordo com ele, Agenayra informava que fazia parte da Rede Salesiano de Brasília e, por e-mail, se passava por padres à frente da instituição para enganar os alvos. Ela foi presa em Samambaia, onde morava.  

Com a justificativa de que precisaria emitir passaportes e organizar a documentação, a mulher cobrava até R$ 10 mil das vítimas. "Ela foi menor aprendiz na empresa aos 19 anos. Lá, ela aprendeu tudo sobre como funcionava o departamento de Relações Humanas (RH) e passou a aplicar os golpes", diz o delegado.  
 

Vítimas enganadas 

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Os golpes com propostas de emprego não eram os únicos aplicados por Agenayra. O estudante Fernando Henrique da Silva, 23 anos, conta que ela pediu R$ 3 mil emprestado para ele, com a justificativa de que precisaria do dinheiro para velar o avô. "A gente se conheceu na igreja e ela acabou se aproximando de mim. Ela já tinha me prometido um emprego e eu fiquei sensibilizado com a história dela e acabei emprestando", comenta. O jovem diz que toda vez que cobrava pelo valor, a mulher inventava desculpas e pedia mais tempo.  

No caso de Thays de Sousa, 24, a acusada também se aproximou da família dela por meio da igreja, em Taguatinga. "Ela ficou sabendo que eu estava desempregada e começou a querer saber mais da minha vida. Convidava a mim e ao meu ex-marido para lanchar e acabamos virando amigos", conta. Thays relata que Agenayra garantiu que a avó dela arrumaria um emprego para ela, mas que precisava de R$ 300 para consertar uns equipamentos eletrônicos para agilizar o processo. "A gente entregou o dinheiro e não tivemos mais notícias", lamenta.  

Thays diz que começou a receber e-mails, sendo que um deles tinha até data marcada para entrevista. "Liguei para Agenayra e disse que não conseguiria comparecer à seleção, mas que ligaria lá para avisar. Poucos minutos depois, recebi uma mensagem avisando que não havia mais vagas. Comecei a suspeitar."
 
Em nota, a Rede Salesiana Brasil (RSB) informou que Agenayra não faz parte do quadro de funcionários da instituição e que não estava autorizada a representá-la. Além disso, a entidade afirma estar à disposição dos órgãos competentes para auxiliar nas investigações.   

O delegado reforça que as vítimas da suposta estelionatária devem comparecer à delegacia para registrar ocorrência. De acordo com ele, isso é de extrema importância para as investigações e para a pena da suspeita, que pode variar de um a cinco anos de prisão por cada crime.  

segunda-feira, 4 de junho de 2018

GDF divulgará preço dos combustíveis ao sair das refinarias

Ao desativar o comitê responsável por monitorar a paralisação dos caminhoneiros, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, declarou normalizada a situação na capital federal. Nesta segunda-feira (4/6), o chefe do Executivo local se reuniu pela última vez com autoridades que acompanhavam os impactos das manifestações e tratou de pautas como o preço da gasolina e a distribuição de gás, que ainda não está normalizada.

Como novidade, agora será responsabilidade da Secretaria de Fazenda divulgar o preço de todos os produtos comprados nas refinarias e nas distribuidoras pelo site da pasta: www.fazenda.df.gov.br. Um dos objetivos é conferir ao cidadão a possibilidade de fiscalizar os valores abusivos. “O brasiliense poderá saber qual é a margem de lucro dos empresários, porque vai comparar com o preço nos postos de gasolina”, afirmou Rollemberg.
 
A divulgação dos valores referentes às transações de compra e venda de combustíveis no Distrito Federal (gasolina comum, diesel e etanol) ocorrerá sempre às segundas-feiras, a partir de 11 de junho.

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Ainda em relação aos preços abusivos, a atuação do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) continua. O órgão é responsável por identificar, coibir e punir excessos nos preços.
 
Quanto ao gás de cozinha, outra preocupação na crise que durou duas semanas, o governo garantiu o abastecimento das distribuidoras. “Estão sendo fornecidos 30 mil botijões diariamente, 10 mil a mais do que no consumo normal”, disse Rollemberg. Com isso, a expectativa é a de que até quarta-feira (6/6) o fornecimento de gás esteja normalizado.

O governador assegurou que, até 30 de junho, o valor do litro de gasolina usado como base de cálculo para o ICMS permanecerá R$ 4,29.
 
* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer