segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Roubo a ônibus em Samambaia sofre escalada

Reincidentes e com a certeza de que voltarão para as ruas. Essas são as principais características de criminosos que assaltam os passageiros do transporte coletivo no Distrito Federal. Ontem, dois ladrões foram presos pela Polícia Militar após agirem em um ônibus da empresa São José na QR 421 de Samambaia. Na região administrativa, o número de roubos a coletivo aumentou 24% de 2016 para 2017.
Os dois homens haviam roubado um celular de uma mulher, que estava na linha 053. A Polícia Militar os conduziu à 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), e o celular foi devolvido à vítima.
Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública do DF, em 2016 foram, ao todo, 549 crimes só em Samambaia. Em 2017, até novembro – último dado da pasta – somaram-se 683 assaltos a ônibus, representando o aumento de 24%. No mês de janeiro, toda a capital, no entanto, registrou queda no crime: em 2017 foram 232 roubos em transporte coletivo, contra 131 no primeiro mês deste ano.
Relatos diários
Quem depende do transporte público relata receio. A cozinheira Zuleide de Oliveira, 53 anos, mora há nove meses em Samambaia, mas já pensa em retornar para Sobradinho. “Todo dia é uma história diferente de assalto. Estou assustada”, desabafa.
Para ela, o fim do ano foi a pior época. “De um mês para cá sinto que deu uma diminuída. No fim do ano teve muito assalto, antes e depois do Natal. Eles entram procurando celular, porque é o mais fácil”, afirma.
A cozinheira conta que nunca foi assaltada, mas o medo é constante. “Na parada que fico conheço algumas pessoas que foram roubadas. Um dia uma mulher me falou que, assim que eu saí, parou um ônibus que tinha sido assaltado. Outra vez, a caminho do serviço, o ônibus parou e os assaltantes iam entrar, mas acabaram atirando em um rapaz e fugiram. É sorte minha, eu sei disso. Está impossível morar em Samambaia”, lamenta.
Arrastão nas paradas
Os moradores da região administrativa denunciam que os arrastões em paradas de ônibus também aumentaram. O autônomo Gildo Inácio dos Santos, 43 anos, precisa estar cedo no Plano Piloto para trabalhar, por isso está no ponto nas primeiras horas do dia. “Tive que fugir de um assalto. Eram 5h30 e chegaram uns cinco homens de uma vez. Assaltaram um grupo de jovens que estavam indo para a escola, e deu tempo de eu correr”, lembra.
O autônomo tem um filho de 14 anos e o ensina a evitar os assaltos. “Sempre falo para ele não usar o celular no ônibus, mas sei que não resolve”. O estudante Wallace Matias confessa que tem o costume de ouvir música no telefone enquanto está no transporte, mas tenta esconder o smartphone. “Coloco na cintura e não na mochila. Se um dia for assaltado, entrego. Minha vida vale mais”, admite. Pai e filho contam que na família pelo menos três pessoas já foram roubadas dentro dos ônibus.
O estudante Gilvan Oliveira Trindade, 23, aponta o mesmo problema: “É diário. Sempre escuto um parente, um vizinho, dizer que foi assaltado na parada”. Ele acrescenta que Samambaia como um todo enfrenta problemas de segurança. “Não tem lugar mais. É na rua, no comércio, no ônibus. Não adianta a gente tentar escapar, os bandidos estão em todos os cantos”, critica. O estudante aponta que já sofreu cinco tentativas de assalto, sendo duas com arma de fogo.
Versão oficial
De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, a corporação tem encontrado duas dificuldades em Samambaia: “a denúncia e a reincidência. Por conta da reincidência, as pessoas ficam com medo de denunciar”, resume. “A PM tem feito muitas prisões e apreensões de maiores e menores de idade na região. Na maioria dos casos, os criminosos moram próximo aos locais dos crimes e até conhecem as vítimas. Porém, as vítimas não denunciam nem chamam a PM por medo”, conclui o militar.

Blitz do Detran flagra 20 motoristas dirigindo alcoolizados em Samambaia


Na madrugada deste domingo (18/2), 20 motoristas foram pegos pela fiscalização do Detran dirigindo alcoolizados. Um deles acabou preso porque o índice de álcool foi superior a 0,3 miligramas por litro de ar expelido dos pulmões, o que configura crime de trânsito. 
 
Ao todo, os agentes pararam 77 veículos somente na via Leste de Samambaia, próximo à estação Furnas do Metrô. Além dos 20 flagrantes de alcoolemia, seis pessoas não tinham nem sequer a carteira de motorista para digirir. Outras quatro estavam com o documento vencido. Pelo menos 10 veículos foram levados para o depósito, porque as irregularidades não eram possíveis de serem sanadas no momento da abordagem. 

Objetos apreendidos durante a operação(foto: Divulgação/Detran)
Objetos apreendidos durante a operação(foto: Divulgação/Detran)
 
A Operação Hércules, como foi batizada a blitz da Lei Seca, durou três horas e contou com oito carros oficiais, dois ginchos e o apoio da Polícia Militar. Além das irregularidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), foram encontradas drogas e pelo menos duas facas. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Catadores entram em confronto com a polícia no Lixão da Estrutural

Cerca de 20 catadores foram retirados das imediações do Lixão da Estrutural, na manhã desta segunda-feira (29), após interditarem a pista de acesso ao local. Eles protestavam contra a proibição de entrar no local. 
 
 
De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), após o fechamento do lixão, no último dia 20, o local ficou restrito para o descarte de resíduos da construção civil. Dessa forma, nenhum catador pode entrar no aterro para coletar os entulhos. A partir de agora, eles poderão trabalhar somente em galpões de triagem. Para isso, os catadores precisam estar filiados a cooperativas que prestam serviços de coleta.
 
 
O major da Secretaria de Estado de Ordem Pública e Social (SEOPS), Alexandre de Souza, disse que os catadores em questão não estavam vinculados a associações de coleta de lixo. "Eles não podem trabalhar de forma autônoma nesse lixão. Essa atividade não é amparada pelo governo. Eles precisam estar associados a alguma cooperativa", ressaltou. 
 
Depois de serem retirados, os catadores tentaram bloquear a entrada de caminhões que carregam os entulhos. O grupo ateou fogo em um sofá, usou pedaços de concreto e um tronco de árvore, além de impedir que as cancelas de uma das entradas fossem liberadas. 
 
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
 
Sem poderem trabalhar, os catadores cobraram explicações. "O projeto para o fechamento do lixão foi apenas para o lixo molhado. Nos garantiram que quem trabalhava com lixo seco iria continuar normalmente. Mas a realidade é diferente. O material seco continua sendo colocado no lixão, e queremos saber porque não podemos trabalhar", contestou Sandra Pereira, 32 anos. 
 
Ainda segundo a catadora, as associações que coletam lixo não têm mais condições de agregar catadores, em especial aqueles que trabalham com o lixo seco. Sem saída, Sandra fica preocupada. "Se montaram um projeto para o lixo molhado, por que não fizeram para o lixo seco também? Gostaria que fossem honestos com a gente desde o início. Mas eu vou até o fim, porque a única coisa que eu quero é trabalhar", desabafou.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Atividades no Lixão da Estrutural foram encerradas neste sábado

O Lixão da Estrutural, o maior da América Latina, encerrou as atividades após oito anos da lei federal que proibiu os depósitos de lixo a céu aberto. Em cerimônia no local, o governador Rodrigo Rollemberg trancou com cadeado, simbolicamente, a entrada onde passavam caminhões de lixo. O evento, com cerca de 300 pessoas, ocorreu na manhã deste sábado (20/1) e teve a presença de secretários e de de aliados políticos do chefe do Executivo, como a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB)


Em meio a cães de rua, moscas e do cheiro forte que perdurava no local, Rollemberg disse que o fechamento do lixão representava um "salto civilizatório para Brasilia". "Fechamos uma página vergonhosa na história da cidade", afirmou.

O governador prometeu, ainda, remunerar os catadores que vão atuar nas novas unidades de reciclagem. O governo pretende pagar R$ 300 por tonelada reciclada. Além disso, eles vão receber o valor equivalente à venda do material para a iniciativa privada e mais R$ 360 mensais, pagos durante seis meses.

Rollemberg também prometeu intensificar a fiscalização. "Caminhões flagrados jogando lixo em área pública vão ser apreendidos", alertou.

No momento em que o lixão foi fechado, um caminhão de lixo soltou balões verde, branco e laranja, cores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). 

60 anos de vergonha


O fechamento do Lixão da Estrutural encerra uma história de 60 anos de lixo jogado a céu aberto. Uma cidade, inclusive, se formou ao redor do entulho. O local vai continuar recebendo resíduos da construção civil por tempo indeterminado.

Desde 2010, quando foi aprovada a Política Nacional de Recursos Sólidos, começou-se o movimento para o fechamento de lixões em todos o país. Assim, o Lixão da Estrutural passou a ser ilegal e o DF precisaria se adequar às novas exigências de descarte do lixo.

Diante das dificuldades de aplicação da lei, o governo federal estendeu os prazos para os municípios, DF e estados se adequearem em todo o Brasil. No caso do Lixão da Estrutural, diversas datas foram marcadas pelo governo local para o encerramento das atividades. A última foi em em 31 de outubro de 2017, porém, o GDF admitiu que não conseguiria cumprir o cronograma e prorrogou para 20 de janeiro de 2018. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Racionamento de água no Distrito Federal completa um ano


Há um ano, os moradores do Distrito Federal convivem com o racionamento de água uma vez por semana. Em 16 de janeiro de 2017, moradores de Ceilândia, do Riacho Fundo 2 e do Recanto das Emas inauguraram o cotidiano de cortes. Desde então, já foram economizados 12% no volume de água consumido anualmente no DF, segundo dados da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). 

 
O governo não tem prazo para acabar com o racionamento, incorporado à rotina dos moradores. A Caesb fala em reavaliar o rodízio após o término do período chuvoso. O motivo é manter o volume dos reservatórios em níveis aceitáveis. Desde o início da crise hídrica, a Caesb gastou R$ 133,6 milhões melhorando o sistema de abastecimento do DF.  Correio publicou uma série de reportagens mostrando como o brasiliense se adaptou a viver um dia sem água e dois com serviço instável

Os primeiros atingidos pelo corte no abastecimento foram os habitantes das cidades abastecidas pelo Rio Descoberto - cerca de 1,8 milhão de habitantes. Sem experiência com a ausência de abastecimento, muita gente usou o que tinha em casa para armazenar água. Quem podia recorreu ao supermercado e comprou água mineral. O receio de ficar sem fazer atividades básicas de casa, como lavar louça ou tomar banho, espalhou a insegurança.

Leia as últimas notícias do Distrito Federal 
A opção de limitar o racionamento a quem mora nas regiões atendidas pelo Descoberto causou revolta. Alguns reclamaram que o rodízio atingia apenas a parcela mais pobre da população. Locais onde o consumo era mais alto, como Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, ficaram de fora por serem abastecidos pelo Sistema o Santa Maria/Torto. A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) justificou a escolha como técnica, e não social. Usou como exemplo o fato de cidades como o Varjão e o Itapoã estarem de fora da lista.
Diante da polêmica, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sugeriu a inclusão de todo o DF no plano de racionamento. Quarenta dias depois, a Caesb anunciou o rodízio nas cidades abastecidas pelo Santa Maria/Torto e quase 3 milhões de pessoas incorporaram a rotina de cortes. Desta vez, a Esplanada dos Ministérios ficou de fora. O motivo: não parar a máquina pública. Hospitais, delegacias e escolas também foram poupados. Para esses, a Caesb forneceria caminhões-pipa.
Desde então, a população passou a acompanhar diariamente o nível dos principais reservatórios. O Descoberto chegou a ficar com apenas 5% de volume - mesmo com as chuvas, o índice ainda está a menos de 40%. O resultado foi uma corrida por outras fontes de abastecimento - como Lago Paranoá, Bananal e o sistema Corumbá IV.  Em um ano, o governo investiu em um ano sete vezes mais do que havia investido em 15 anos em relação ao abastecimento e tratamento de água do DF. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Assaltantes rendem passageiros e fazem limpa em ônibus em Samambaia

Dois homens armados renderam passageiros e assaltaram um ônibus em Samambaia Sul, na altura da QR 121, no início da noite desta segunda-feira (8/1). Segundo testemunhas, os suspeitos teriam entrado no coletivo, pago a passagem e esperado aproximadamente 15 minutos para anunciar o assalto. 
 
Um dos passageiros, que não quis se identificar, relatou ao Correio que o ônibus estava cheio no momento da ação. "Os dois estavam armados. Enquanto um mais velhos roubava os pertences dos passageiros, o outro, que parecia ser menor, pegava o dinheiro do caixa. Eles roubaram praticamente tudo de muita gente, fizeram a limpa". Ele teve a carteira roubada, mas conseguiu esconder o celular. "Quando eles entraram, eu já desconfiei. Ficavam olhando e analisando. Aí eu percebi quando um falou para o outro do assalto e escondi meu celular debaixo do meu pé", contou. 

Algumas pessoas conseguiram sair antes do assalto e descreveram os suspeitos para policiais militares que faziam o patrulhamento na área. A equipe conseguiu deter um dos homens que, segundo informações da PMDF, estava correndo com uma arma carregada. Após percorrer o caminho que o suspeito havia feito, os militares conseguiram achar uma mochila preta com vários pertences e dinheiro. 

O motorista e passageiros reconheceram o detido como autor do assalto. O suspeito, de 27 anos, foi encaminhado para a 26ª DP (Samambaia Norte). O outro envolvido conseguiu fugir e até o momento desta publicação não foi encontrado pela polícia.